Janja Lula da Silva não participou do desfile sobre a história do marido neste domingo (15). A homenagem partiu da escola de samba Acadêmicos de Niterói na primeira noite dos desfiles do Grupo Especial do Carnaval carioca. No entanto, a ausência no grande momento não significa que a primeira-dama não tenha atuado nos bastidores.
Segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, Janja articulou apoio empresarial para a escola de samba. Ela teria “passado o chapéu”, de acordo com palavras do próprio jornalista, para alguns empreendedores mais próximos do presidente, com o objetivo de conseguir doações de recursos para a Acadêmicos de Niterói.
Janja viria no carro “Amigos do Lula”, com familiares e amigos do meio artístico, como Denise Fraga, Julia Lemmertz, Elisa Lucinda, Chico Diaz e Malu Valle. De última hora, com a alegoria já prestes a entrar na Marquês de Sapucaí, a primeira-dama desistiu de participar.
Nos bastidores, o burburinho é de que Janja desistiu de desfilar para não aumentar ainda mais a polêmica em torno do desfile. “Acho que ela não vai sair para baixar a fervura”, disse Paulo Betti, segundo informações da revista Veja. Coube a Fafá de Belém ocupar o lugar de destaque que seria da primeira-dama.
O desfile da Acadêmicos de Niterói foi alvo de, pelo menos, dez contestações, seja na Justiça, no Ministério Público ou no Tribunal de Contas da União (TCU). A principal acusação é de que existe uma propaganda eleitoral antecipada nesta homenagem, já que Lula confirmou que será candidato nas eleições ainda este ano. O uso do famoso jingle do presidente no refrão do samba-enredo ajudou a corroborar com a teoria.
Deputados pediram ao TCU que o valor de R$ 1 milhão, pago a todas as escolas de samba por conta de um acordo entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), não fosse repassado a Acadêmicos de Niterói.
Na última quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impediu a proibição do desfile por 7 votos a 0, sob argumentos de que isto poderia configurar censura. No entanto, os ministros fizeram ressalvas e alertaram que condutas da escola ou de políticos envolvidos no desfile podem violar a lei eleitoral e ocasionar punições.